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Notícies :: globalització neoliberal
batalha de Seattle
26 mar 2006
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BATALHA DE SEATTLE

Um levante contra a rapina imperialista
Seattle, a cidade norte-americana batizada pelos capitalistas como a capital da Microsoft, foi abalada pelos multitudinais protestos encabeçados por milhares de manifestantes (operários metalúrgicos, portuários, estudantes, ecologistas, pequenos produtores etc.) que saíram às ruas contra a Organização Mundial do Comércio (OMC) que realizava nos EUA sua III conferência de cúpula com o objetivo de aprovar a chamada "Rodada do Milênio", uma série de normas para regular as relações comerciais entre os blocos imperialistas e aprofundar a espoliação destes centros capitalistas sobre as colônias e semicolônias.


Uma verdadeira guerra foi desencadeada pelo governo Clinton contra os milhares de manifestantes. O governo "democrata" não hesitou em chamar a Guarda Nacional para intensificar a repressão, tornando Seattle uma verdadeira praça de guerra, relembrando os enfrentamentos e protestos contra a guerra do Vietnã ocorridos na década de setenta, que deixaram, como agora, a burguesia e o imperialismo em polvorosa.


Embora as organizações que lideravam os protestos tivessem como objetivo apenas pressionar a cúpula da OMC, os manifestantes ultrapassaram essas pretensões, entrando em choque contra a polícia e a Guarda Nacional, o que resultou na prisão de mais de 500 pessoas.


Para deter o avanço dos manifestantes, o governo Clinton impôs o estado de emergência na cidade e o toque de recolher, onde qualquer pessoa, a partir das 19h poderia ser presa se estivesse nas ruas. Essa repressão contra o movimento de massas prova, contra toda cínica propaganda democrática imperialista, que a repressão capitalista é, também nos países imperialistas, o pilar de sustentação do Estado burguês frente ao ascenso do movimento operário.


Por mais violenta que tenha sido a repressão, os manifestantes não hesitaram em bloquear as ruas extendendo a manifestação por toda a cidade. Símbolos do capitalismo, as lojas da Nike e MacDonalds foram apedrejadas pela multidão que bradava "morte ao capitalismo", "abaixo a globalização", apesar das organizações que dirigiam o movimento terem buscado direcionar esta fúria apenas para incluir as chamadas "cláusulas sociais" nos acordos da OMC, uma política de tentar dar um tom humanizador à exploração capitalista.


Apesar disso, ocorreram nos EUA, no momento em que se realizava a conferência, greves de portuários, dos trabalhadores da Boeing, além de diversas manifestações na Europa (Londres e Paris) que refletiram que estes atos não foram isolados, mas são o exemplo da contestação a este regime decadente que encontra na OMC um de seus braços de sustentação.


AFL-CIO, CENTRAL SINDICAL A SERVIÇO DO IMPERIALISMO


Bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha, carros de combate, tropas de choque, foram os meios utilizados pelo aparato repressivo burguês para atacar os trabalhadores e o movimento de massas.


Mesmo com todo esse aparato, o instrumento mais poderoso para manter os trabalhadores sob o domínio da política burguesa foram as direções do movimento operário, que se vendem à burguesia em troca de se manter como aristocracia da classe trabalhadora. Um exemplo desta política foi a posição tomada pela central sindical norte-americana, a AFL-CIO, que tinha como objetivo, através da manifestação, pressionar a OMC a incluir cláusulas trabalhistas nos seus acordos.


Isso demonstra o abismo que houve entre as palavras-de-ordem dos manifestantes com as das direções sindicais e das ONG's que, embora se digam "contra" a OMC, visam fortalecê-la indiretamente já que desejam que essa organização imperialista absorva em suas normas padrões trabalhistas e ambientais sem questionar a espoliação capitalista.


Não é à toa que o principal porta-voz da AFL-CIO na conferência acabou sendo o próprio presidente norte-americano Bill Clinton: "Sob intensa pressão de seus sindicatos, que têm muita força política no Partido Democrata, a administração Clinton propôs a formação de um grupo de trabalho dentro da OMC para discutir o assunto. Trata-se da reivindicação mínima dos sindicatos..." (OEstado de S.Paulo, 30/11). Essa não foi apenas mais uma acomodação pontual de interesses entre a direção da AFL-CIO e os capitalistas. É uma política consciente dessa central perante a burguesia norte-americana de atrelar os interesses das massas aos dos monopólios capitalistas, sendo um braço sindical do partido democrata e do governo Clinton, colocando-se como uma opositora anticomunista da revolução cubana e uma entusiasta frenética da agressão imperialista contra o Iraque.


A conduta abertamente pró-imperialista da AFL-CIO encaixa-se como uma luva na análise que Lenin faz da aristocracia operária: "A obtenção de elevados lucros monopolistas pelos capitalistas... oferece-lhes a possibilidade econômica de subornarem certos setores operários e, temporariamente, uma minoria bastante considerável destes últimos, atraindo-os para o lado da burguesia..., contra todos os outros. O acentuado antagonismo das nações imperialistas pela partilha do mundo aprofunda essa tendência. Assim se cria a ligação entre o imperialismo e o oportunismo..."(O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo).


Por outro lado, através das ONG's, as potências imperialistas conseguem camuflar seus interesses econômicos e de expansão territorial sobre países oprimidos, realizando uma intervenção disfarçada, como por exemplo os vários grupos de "defesa da ecologia" que estão na região amazônica com o objetivo de atender aos interesses das grandes potências.


Essas organizações são mantidas diretamente pelas empresas multinacionais e os países imperialistas, apresentando-se como "salvadoras de baleias e do ambiente", mas que em nenhum momento colocam a razão da destruição do planeta: a ganância e depredação capitalista.


Devido a acumulação do capital, os meios de produção nas mãos dos capitalistas têm se tornado grandes causadores de destruição ambiental, resultando em enormes catástrofes que encontram na classe operária sua principal vítima. O surgimento de novas doenças, epidemias, a poluição industrial, a fome, o desmatamento, encontram sua principal causa na máxima exploração possível que os capitalistas realizam para a obtenção de lucros cada vez mais altos.


CONFERÊNCIA FRACASSA DEVIDO A CONFLITOS
ENTRE AS POTÊNCIAS IMPERIALISTAS


A Conferência, que reuniu delegações de 135 países com o intuito de iniciar a discussão sobre os acordos relativos ao comércio internacional, tornou-se um enorme fracasso devido às contradições dos interesses entre os blocos imperialistas.


Criada como forma de regular as disputas entre os blocos imperialistas e impor aos países oprimidos normas e sanções, sujeitando-os aos interesses das potências, a OMC surgiu no ano de 1995 como produto da necessidade do capital financeiro expandir ainda mais suas garras rumo ao mercado internacional.


A atual fase do capitalismo caracterizada pela superprodução de capital, encontrou nos últimos anos as piores crises conjunturais, apesar da tão propalada vitória final do capitalismo, devido à derrubada da URSS e dos Estados operários do leste europeu.


As crises no sudeste asiático, no México, na Rússia e recentemente no Brasil refletem a disparidade entre o capital financeiro completamente fíctício e parasitário e os meios de produção. Enquanto a acumulação de capital se torna ainda maior, é também necessário a destruição das economias dos países oprimidos. É nesse contexto que o imperialismo utiliza de seus braços (FMI, OMC, Banco Mundial, OTAN etc.) para impor seus interesses, antagônicos aos dos trabalhadores.


O objetivo da conferência era de se tentar chegar a um acordo entre os blocos imperialistas. Enquanto a União Européia e o Japão se relutavam em aceitar o fim dos subsídios sobre seus produtos agrícolas, uma forma de protecionismo comercial, os EUA pretendiam, como sempre, se manter como o principal beneficiado, inclusive reforçando para que a China ingressasse na OMC, o que resultaria em uma enorme vantagem para a indústria americana.


Apesar do conflito entre os dois blocos, estes se unificaram quando o assunto se tornou os países oprimidos, tanto EUA, como a União Européia e o Japão são unânimes em exigir a "quebra de fronteiras" destes países, beneficiando ainda mais as potências capitalistas, que não hesitariam em inundar cada vez mais esses países com seus produtos, destruindo a economia nacional destes, causando desemprego e gerando mais crises.


Como resultado dos conflitos entre as potências e as manifestações que ocorreram, os próprios governos subservientes dos países atrasados se sentiram à vontade para fazer demagogia e até "criticar" os excessos da rapina imperialista, defendendo a fórmula de "globalização com justiça social".


As burguesias nacionais das nações semicoloniais são sócias menores do imperialismo, sendo política e historicamente incapazes de levar a frente qualquer luta conseqüente contra a rapina imperialista. Longe de aliadas da classe trabalhadora, como prega a esquerda reformista e social-democrata, essas burguesias são ajudantes de ordens da recolonização capitalista.


Como demonstraram as manifestações em Seattle, está nas mãos apenas da classe operária e do campesinato pobre, como seu aliado, a tarefa de pôr abaixo a dominação imperialista no planeta e marchar para a edificação do socialismo, impondo uma derrota histórica à burguesia mundial, através da vitória da revolução proletária em todo o planeta.



ESTRANHA ALIANÇA

'O Trabalho' convoca conferência aberta com
a pró-imperialista AFL-CIO


Será realizada em fevereiro, nos EUA, uma Conferência Mundial Aberta que pretende reunir sindicalistas de todas as matizes políticas, desde supostos trotskistas, até agentes diretos do imperialismo no movimento operário. O maior defensor e entusiasta desta conferência no Brasil é a corrente petista "O Trabalho" (OT), seção da organização política dirigida internacionalmente por Pierre Lambert, hoje uma agência da social-democracia européia, que agora está assumindo o papel de sucursal da política anticomunista da AFL-CIO, principal convocante da conferência nos EUA.


A conferência organizada pelo lambertismo com a AFL-CIO é mais uma oportunidade para o turismo da aristocracia operária, onde participam desde a social-democracia européia até a Força Sindical, sem que aja atritos ou polêmicas, um detalhe desprezível nesse saco de gatos: "a conferência não tem qualquer pretensão de substituir ou fazer concorrência às organizações sindicais ou políticas existentes no movimento operário mundial, mas, ao contrário, visa fornecer um ponto de apoio para a ação comum" (O Trabalho n°468).


Avançando nessa política oportunista, os lambertistas se tornaram também garotos propaganda da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que regulamenta a espoliação capitalista sob a capa de defensora dos trabalhadores. Para "O Trabalho", a grande tarefa das massas operárias não seria mais fazer a revolução proletária para dar fim ao capitalismo, mas pressionar a burguesia a respeitar as cláusulas da OIT, uma política bastarda daquela defendida por seus amigos da AFL-CIO e da Articulação de inclusão de cláusulas sociais nos acordos comerciais da OMC, como declarou Vicentinho, presidente da CUT: "Nós não somos a favor do fim da globalização ou o fechamento do comércio, mas queremos regras justas"(Jornal do Brasil, 30/11/99).


Como seus parceiros, "O Trabalho" prega que "Neste ano 2000, a defesa das convenções da OIT é central para os trabalhadores dos cinco continentes" e "qualquer governo que pretenda apoiar os direitos dos trabalhadores deve começar por ratificar as convenções da OIT!" (calendário OT 2000).


Para "O Trabalho" não há nenhum problema em organizar uma conferência com a anticomunista AFL-CIO, que apóia o governo imperialista de Clinton e o bloqueio a Cuba, até porque já há muito tempo desenvolve uma política de simples fantoche oposicionista à Articulação dentro do PT e, na França, Pierre Lambert é um assessor da central social-democrata Força Operária, que sabotou as jornadas de luta de dezembro de 1995.

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