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Notícies :: criminalització i repressió
Não queremos Portugal envolvido na guerra suja anti-basca
04 set 2007
Comunicado

1. Depois de um encontro dos ministros do Interior de Espanha e Portugal, acaba de ser anunciada a formação de uma equipa policial mista luso-espanhola, para activar as investigações em torno de possíveis actividades da ETA em território nacional. É o que se pode chamar matar três coelhos duma cajadada: usa-se a paranóia “antiterrorista� para dar mais poderes às polícias, envolve-se o governo português num problema político interno do Estado espanhol e dá-se um primeiro passo para a integração policial ibérica sob comando de Madrid.
2. Quando o ministro Rui Pereira garante leal colaboração ao seu colega espanhol podemos acreditá-lo – ou não fosse ele ex-chefe do SIS. Mas colaboração em quê? Na vigilância sobre os suspeitos de apoio à causa basca. Porque o que está aqui em causa é muito mais do que a ETA. A dramatização forjada em torno das “células terroristas� em território nacional é um pretexto para uma campanha policial contra todos os que no nosso país manifestem o seu apoio aos direitos das minorias nacionais de Espanha, e particularmente à causa basca. A caça à ETA vai fornecer novos pretextos para mais vigilância, mais escutas telefónicas, mais intimidação.

3. As autoridades de Espanha nem se dão ao trabalho de disfarçar a pressão sobre Portugal. O governo de Madrid quer tirar a sua parte de lucro da “guerra mundial ao terrorismo�. Com efeito, se Bush pode reclamar dos aliados que enviem contingentes para o Iraque e Afeganistão porque não pode Zapatero reclamar a colaboração de Sócrates na sua guerra suja anti-basca? E Sócrates embarca gostosamente neste novo “desafio�. Já não lhe basta obedecer a Washington e Bruxelas. Agora também recebe ordens de Madrid.

4. Até agora, PCP e BE remeteram-se ao silêncio. É nítido o seu embaraço. Receiam ser acusados de “amigos dos terroristas� se tomarem uma posição firme e clara nesta matéria. A tal degradação chegou esta esquerda que, no tempo do 25 de Abril, exigia acolhimento aos perseguidos políticos do país vizinho. Mas a sua preocupação actual é ver reconhecida a sua respeitabilidade burguesa.

5. Apelamos aos grupos políticos de esquerda, pessoas e colectivos para que afirmem publicamente o seu protesto contra o envolvimento de Portugal nesta campanha. Não aceitemos que se ponha o rótulo de “terrorismo� nos independentistas do Estado espanhol. Além do mais, ajudar a Espanha a reprimir os independentistas que lutam pelos seus direitos é dar mais força ao Estado espanhol para levar avante o seu plano de absorção de Portugal. E com isso os povos da Península Ibérica só terão a perder.

30 de Agosto de 2007
Política Operária
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