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Tres poemas eróticos de Oscar Portela en Portugués
08 set 2008
"Nasci desnudo todo pele co-extensiva ao mundo
Longo foi o alarido.
O parto do co-nascer daquele alumbramento
no qual abria as pálpebras sem ver
foi a abertura e o denso duelo
que permitia sair da caverna e ver a luz,
Ouvir os pássaros, sentir de novo a água,
Abrir-me ao mundo da intempérie": Oscar Portela
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Tres Poema Eróticos De Oscar Portela En Portugués



O RAIO E O AMANTE

poema de Oscar Portela


Relâmpago. Céu púrpura e fúlgido
Que silencia vozes sobre a terra
Trovão. Voz da ira. Lavas e cinzas
Sobre o mar que cerra seus ouvidos
Ao clamor dos Deuses
Raio que timoneia o Universo.
Amor que nos silencia como o relâmpago
Nos ensurdece como o corno do trovão
E nos devolve cinzas sobre a terra pálida
Como o raio que timoneia os corpos
Desnudos sobre a erva de uma arcadia
Apenas um instante e o eterno se esfuma
Morrer eu soberano não possuindo nem me entregando
Apenas me deixando fluir na estação da inocência
Cerrando o círculo sobre o desnudo corpo do amado.







¿DE QUE FALAR POIS ?

Poema de Oscar Portela

A Vera Luz Laporta

E os altos pinheiros como altos amores
O mais longínquo bosque de abedul
Aonde se ocultam os mais intensos astros
E as raízes mais profundas enterradas
Nos fanais mais secretos e doces.
De que falas pois senão de nossa
Finitude, do amor e a morte ?
Das folhas que caem no outono,
Dos Ocres que vestem a terra
E do corpo desnudo do mortal
sua nudez magnífica de Adão -
Anjo caído espreitado por sombras
E sinistras derivas
De que falar senão daquelas
Que se avizinham e da Arca de Ouro
Do amor à terra e as raízes ocultas
Na origem da memória e a linguagem ?
De que falar pois ?



A BUSCA
de Oscar Portela

poema em três movimentos e autobiográfico.




A BUSCA

de Oscar Portela

poema em três movimentos e autobiográfico.

ABERTURA

Nasci desnudo todo pele co-extensiva ao mundo
Longo foi o alarido.
O parto do co-nascer daquele alumbramento
no qual abria as pálpebras sem ver
foi a abertura e o denso duelo
que permitia sair da caverna e ver a luz,
Ouvir os pássaros, sentir de novo a água,
Abrir-me ao mundo da intempérie
sem fim do infinito – contra-intempérie
do amor e a morte
Do raio que timonea o universo.
Nasci desnudo como quando
depois realizei os feitiços que lentamente
me conduziram a teu corpo
Que hoje transporta meu nome.
Busquei amparo na tibieza de minha mãe
e o assombro chegou até mim
das mãos das toscas planicies amarelas e os espectros
de uma paisagem selvagem,
que feria as pupilas da criança com frenético
ardor, me amparei nas palmeiras
e os sonhos dos largos invernos,
tapei minha nudez, senti a calidez
e os aromas que guardaria já para sempre
nas memórias do olvido
tal a guarda do ser no silencio.
Assim me abria à soçobra de ser desnudo
já para sempre todo pele,
todo angustia de pele
e de sentidos, o tato de minhas
mãos impías e meus olhos fanais de luxúria
A lascívia de um corpo confundido
com brancos jasmins do verão
ao doloroso vermelho já para
sempre rabdomante de ventos
e liras que a intempérie sem fim
pôs em minha mãos.
Daquele relámpago de Zeus nasceu minha sede,
de teu trovão, os espantos e gozos
dos sentidos todos, de seu raio, o pó
das cinzas que esparge hoje o vento
nas ladainhas que abrem
o tempo das interrogações
e o poente final de uma intempérie
que hoje termina
com esta minha história
Eu era a criança das angras e os arrulhos
de pombas, a criança da música das
chuvas dos largos invernos,
a criança que se mirava no espelho
das alvoradas e se escutava
no chirrio dos monos
a criança destroçada por Lear
A criança dos aromas da goiabeira
um pequeno Narciso hoje quase cego
que enganava seu corpo sem saber todavia
que avería de encontrar
em teu corpo enjoiado
o mundo no qual não havia
nascido todavía.
A criança já não está mais comigo.
Mas no silencioso diálogo
busca aquele perdido mundo das violetas
nos cánticos e promessas do futuro
E está aquí o que prometo todavia
Toda promessa é um desejo não cumprido
e ainda que as visões foram exorcizadas
nas longas ladainhas, aquí estou todavia
desnudo todo pele e aberto
à mudez do ouvido sobre
a terra no passado.


Traducción de Vera Luz Laporta
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